O guia definitivo das Scream Queens

Scream Queens são as atrizes que se destacam nos filmes de horror, que gritam realmente bem e são geralmente as vítimas preferidas dos monstros e serial killers do gênero. Essas garotas podem ser as vilãs, as heroínas ou simplesmente aquela atriz que corre seminua por corredores escuros.

O cinema de horror nunca se eximiu da violência, gore e sexo, frequentemente colocando as mulheres em um fetichismo misógino. Nudez e sustos fáceis andam juntos, mas a verdade é que elas têm participação fundamental no sucesso desse gênero, nem que sejam como vítimas preferidas de psicopatas e monstros. A Scream Queen pode ser simplesmente mais uma vítima desnuda de cena inicial ou uma donzela em perigo à espera de ser salva pelo herói no final do filme. Ainda pode ser ela mesma a protagonista, a heroína miticamente virgem como aquelas que eram usadas na captura de unicórnios.

Vamos relembrar aquelas que enfrentaram monstros, derramaram seu próprio sangue em sacrifício de plateias sedentas, marcaram as primeiras visões do corpo feminino nu para adolescentes das gerações passadas ou, simplesmente, deixaram uma impressão duradoura e perturbadora devido à potência de suas cordas vocais. Sem essas mulheres e suas performances marcantes, alguns filmes não seriam tão dignos de lembrança.

Fay Wray – Ann Darrow em King kong (1933)

A loira que seduziu King Kong e cujos gritos repercutiram desde as Selvas longínquas até o topo do Empire State em Nova York e daí para todas as telas do mundo. Foi a atuação de sua vida. Quando o diretor Merian C. Cooper a falou sobre seu personagem, a garantiu que ela contracenaria com o mais alto, forte e moreno ator de toda a Hollywood, ela pensou que ele se referia à Cary Grant.

Evelyn Ankers – Gwen Conliffe em O Lobisomen (The Wolf Man, 1941)

Conhecida como a rainha das Screams, Ankers é considerada a original por ter estrelado os clássicos da Universal, como O Lobisomen (The Wolf man, 1941), O Filho de Drácula (Son Of Dracula, 1943) e A Vingança do Homem Invisível (The Invisible Man’s Revenge, 1944). Ela e Lon Chaney Jr. trabalharam juntos em quase 10 filmes e mesmo assim, ou por isso mesmo, relatos dizem que ambos se detestavam.

Barbara Steele – Katia Vadja (A Maldição do Demônio, 1960)

Steele é a musa do italiano Maria Bava em seu A Maldição do Demônio (Black Sunday, 1960). Ela era apropriada para fazer a última sobrevivente ou o monstro e sua aparência exótica a destacava do estereótipo de loiras que povoavam os filmes de horror.

Janet Leigh – Marion Crane em Psicose (Psycho, 1960)

Tomou o mais famoso banho cinematográfico da história e ganhou um Globo de Ouro. E isso morrendo na primeira sequência do filme, dando um recado aos espectadores que ninguém estaria a salvo no Bate’s Motel de Psicose do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Janet ainda atuaria ao lado de outra famosa Scream Queen, a Jamie Lee Curtis em A Bruma Assassina (The Fog, 1980) e Halloween Vinte Anos Depois (Halloween H20, 1998).

Marilyn Burns – Sally Hardesty em O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre, 1974)

O Massacre da Serra Elétrica não é tão gore quanto o nome sugere e, assim, muito do sucesso do filme se deve à atuação emocional de Marilyn Burns. Resumindo: ela gritou pra valer. Burns ganhou a coroa pelos últimos 30 minutos do filme, no qual nada faz a não ser gritar e correr. Mas seus gritos eram tão aterrorizantes que faziam os espectadores congelarem.


Sissy Spacek – Carrie em Carrie, A Estranha (Carrie, 1976)

Uma obra clássica vítima de remakes esporádicos e cretinos. Antigo porém nunca antiquado, Carrie ainda provoca devaneios naqueles que o assistiram em televisores de tubo em alguma madrugada da vida. O bullying continua e eles ainda vão rir de você na escola.

Camille Keaton – Jennifer em A Vingança de Jennifer (I Spit On Your Grave, 1978)

Considerado um dos filmes visualmente mais violentos do gênero, A Vingança de Jennifer possui uma cena de estupro coletivo que dura 25 minutos. A atriz sofreu bastante durante as filmagens, não pela nudez frequente, mas por ter de correr descalça pela floresta e devido aos ataques dos mosquitos. Tão intensos que teve de ser levada ao hospital. Depois, Camille teve uma rápida e nua aparição no tosco Força Cruel (Raw Force, 1982).

Jamie Lee Curtis – Laurie Strode em Halloween, A Noite do Terror (Halloween, 1978)

Talvez tenha sido ela que criou a essência moderna do que viria a se chamar Scream Queen. Lee Curtis é a número um em muitas listas de fãs. Só em 1980 a atriz esteve nos cartazes dos cinemas três vezes: A Bruma Assassina (The Fog, 1980), A Morte Convida Para Dançar (Prom Night, 1980) e O Trem do Terror (Terror Train, 1980). Mas foi como Laurie Strode em Halloween que ela ganhou a coroa. Na época, o filme arrecadou 47 milhões nas bilheterias. Em reconhecimento, Jamie estará ao lado de Emma Roberts, Ariana Grande e Nick Jonas em Scream Queens, uma nova série da Fox. Será uma bizarra mistura de Glee com American Horror Story.

Sigourney Weaver – Ripley em Alien, O Oitavo Passageiro (Alien, 1979)

Primeiramente, Neill Blomkamp, o diretor de Distrito 9 está na direção do novo filme da franquia Alien com Sigourney Weaver no elenco. Em uma época na qual heróis anabolizados dominavam as bilheterias, ela trouxe um pouco de charme às telas. Sua personagem, Ripley, começa como uma mulher como qualquer outra, destinada a morrer na primeira meia hora em mais um filme de horror hollywoodiano. É então que ela se revela o que qualquer heroína moderna se esforça para ser: uma guerreira incapaz de recuar ou desistir, inspirando Milla Jovovich, Zoe Zaldana, Michelle Rodriguez e outras.

Adrienne King – Alice em Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, 1980)

Alice era a monitora do acampamento que não usava drogas, não bebia e não transava e foi a única a enfrentar o espectro de Jason Voorhees. Mas, assim como todas as garotas que frequentaram o acampamento de verão, encontrou seu criador na sequência do filme.

Header Langenkamp – Nancy Thompson em A Hora do Pesadelo (Nightmate on Elm Street, 1984)

Mais famosa por seu papel como Nancy Thompson em A Hora do Pesadelo, Leader parece a típica filha do vizinho. Quero dizer, a típica linda vizinha. Wes Craven a considerou o coração e a alma do pesadelo no subúrbio. Uma inteligente, engenhosa e virgem mocinha. Uma suculenta porém difícil adversária para o Freddy Krueger. Nancy não esperou por nenhum homem e entrou no mundo dos pesadelos para encarar o inimigo.

Linnea Quigley – Trash em A Volta dos Mortos Vivos (The Return of The Living Dead, 1985)

Se quer saber mais sobre Linnea Quigley, não precisa ir além de ver a cena em que ela passa suavemente o batom em seu seio desnudo em A Noite dos Demônios (Night Of The Demons, 1988) ou em A Volta dos Mortos Vivos (Return of The Living Dead, 1985) onde sua personagem, uma punk chamada Trash, dança pelada em um cemitério. A atriz frequentemente é vista com pouca roupa e termina tendo mortes horríveis.

Barbara Crampton – Megan Halsey em A Hora dos Mortos-vivos (Re-Animator, 1985)

Se contrapondo a Heather e Neves, está Barbara Crampton, uma Scream Queen que não tinha medo de deixar cair suas roupas nas cenas. Ela será eternamente lembrada pela cena do sexo oral com o zumbi. Crampton continuou a aparecer em produções do horror e pode ser vista no filme Você É O Próximo (You’re Next, 2011).

Ashley Laurence – Kristy Cotton em Hellraiser, Renascido do Inferno (Hellraiser, 1987)

Pinhead é um dos vilões mais terríveis que o cinema de horror criou, mas a Kristy de Ashley Laurence o encarou por duas vezes. Na primeira deu sorte com a negociata, na segunda teve de ir até as profundezas do inferno para enfrentá-lo e encontrou coisa pior. A ousadia dela fez Pinhead se regozijar com a possibilidade de dilacerar sua carne macia.

Danielle Harris – Jamie Lloyd em Halloween 4, O Retorno de Michael Myers (1988)

Harris é a mais jovem Scream Queen na história do horror graças a Halloween 4 e 5. Ela cresceu e voltou ao gênero, se tornando a única atriz de filmes de horror a estar na franquia original e no remake, o que nesse caso não é exatamente algo bom. O filme de Rob Zombie é um horror em outro sentido. “Era exaustivo enfrentar aquele gigante homicida e ainda conduzir o filme fisicamente e emocionalmente, porque a última garota viva tem de fazer as duas coisas, e tem de atrair o espectador pela jornada para sobrevivência.” Profundo para um simples slasher com assassino imortal.

Kathy Bates – Annie Wilker em louca Obsessão (Misery, 1990)

Baseado em um conto de Stephen King, este filme deu a Kathy Bates um Oscar de melhor atriz, a colocando no seleto grupo de atores que ganharam um prêmio da Academia por um filme de horror. Não faz a típica donzela em perigo. Aqui, ocorre uma inversão de papeis e é o homem que se torna a donzela ameaçada.

Neve Campbell – Sidney Prescott em Pânico (Scream, 1996)

Sidney Prescott de Pânico era esperta o suficiente para entender as regras cinematográficas dos filmes de terror e usá-las em sua vantagem, mas não foi esperta o suficiente para evitar cair na lábia do namorado. Campbell se tornou um ícone do gênero da década de 90 em um filme que ajudou a reconquistar a fé em Wes Craven.

Jane Levy – Mia em A Morte do Demônio (Evil Dead, 2013)

Praticamente um fanfic produzido pelos amantes da franquia original. Um pouco moderno, mas não pode ser acusado de exagerado. Talvez sério demais. Talvez uma mistura de O Exorcista com Evil Dead. A cena na qual Jane corta a própria língua com uma faca já crava a pérola na memória.