Ninguém esperava que, um ano após Guerra Civil (Civil War, 2024), o diretor Alex Garland apresentaria um novo filme com temática de guerra. Desta vez dividindo os créditos de direção, o resultado foi diferente em vários níveis.
Em Tempo de Guerra (Warfare, 2025) acompanhamos um grupo de soldados americanos em ação no Iraque. Em uma incursão noturna, o time invade uma casa em zona residencial e mantém duas famílias sob guarda enquanto montam um posto de observação. Quando vão sair do local, são hostilizados por moradores e guerrilheiros e ficam acuados. Com dois companheiros mortalmente feridos, tentam resistir ao assédio enquanto aguardam o resgate.
O filme é baseado nas memórias de alguém que viveu tudo aquilo, o ex-seal Ray Mendonza, que contribuiu na direção e roteiro. Ao contrário de Guerra Civil, o filme não tem várias camadas. Ou talvez elas não sejam tão óbvias e dependam bastante do posicionamento e esclarecimentos individuais de cada espectador.
A missão não parece fazer sentido. O grupo de soldados é falho como unidade e alguns desabam diante da tensão do momento. Não estamos vendo algo caricato ou idealizado como um Comando Delta (The Delta Force, 1986) do Chuck Norris. Aqui a intenção foi reproduzir a vida real na visão de quem esteve lá. Durante o conflito os soldados não conseguem aplicar corretamente nem uma injeção de morfina. A tropa de resgate chega com tanta adrenalina que os soldados tropeçam nos feridos que vieram ajudar.
O que fica parecendo, sem maiores informações, é que soldados americanos invadiram o domicílio de duas famílias, as mantiveram sob sequestro e então a comunidade reagiu contra essa violência. Eles seriam os verdadeiros criminosos.
Olhando por esse viés, Tempo de Guerra poderia funcionar como uma crítica contra os Estados Unidos, mas essa versão se torna frágil na subida dos créditos finais, quando há uma homenagem aos soldados. Assim, termina funcionando como uma propaganda do exército americano, embora mostre que recruta jovens, os treina mal, os envia para o outro lado do mundo e os devolve em pedaços.
Não há um protagonista e não conseguimos nos apegar ou conhecer qualquer coisa dos fuzileiros sofrendo o cerco. Parece uma batalha genérica de soldados de plástico. O foco da preocupação tende a ir para as famílias reféns, mesmo que também não saibamos absolutamente nada delas, mas qualquer civil teria empatia por alguém que tem sua casa invadida no meio da noite, apavorando sua esposa e seus filhos pequenos.

Tempo de Guerra (Warfare, 2025)
Direção: Alex Garland e Ray Mendonza
Elenco: Will Poulter, Joseph Quinn
Gênero: Guerra
Duração: 1h35min
