Pecadores – Hollywood tenta empurrar um novo clássico

De tempos em tempos, parece surgir um filme que revoluciona um gênero, sendo aclamado pelo público e pela crítica especializada. Em tempos de reinado das redes sociais, esses intervalos estão ficando cada vez mais curtos, um golpe cada vez mais repetido. O último da vez foi Pecadores (Sinners, 2025), um filme de terror sobre vampiros explorando as raízes do racismo norte-americano. O longa recebeu 16 indicações ao Oscar, o que o colocou como a produção com o maior número de indicações da história da premiação.

Smoke e Stack, irmãos gêmeos gângsteres, interpretados por Michael B. Jordan, retornam à sua terra natal, o Mississippi da década de 1930. Após darem um golpe em seu empregador, em Chicago, pretendem usar o dinheiro para abrir um bar com música ao vivo em uma área agrícola, tendo como público-alvo os trabalhadores locais.

Eles só não lembraram que as pessoas humildes da região usam apenas moedas simbólicas, que servem para trocas entre si, não dinheiro de verdade. Os gêmeos geniais roubaram de mafiosos para implementar o pior plano de negócios do mundo. Agora, além de verem seu bar afundar financeiramente na primeira noite, ainda recebem a visita de um trio de vampiros.

Os personagens e o roteiro são um amontoado de clichês em todos os sentidos. Como em todo bom filme de terror B, ou em um filme A dos ruins, como é o caso aqui, temos personagens caricatos tomando as piores decisões possíveis. Parece que tudo isso é perdoado ou ignorado simplesmente porque há um verniz antirracista na película.

Vendo o desastre do caixa na primeira noite, um dos irmãos acha uma boa ideia deixar o amor de sua vida sair sozinha para conversar com três brancos que foram proibidos de entrar na boate, para verificar se eles teriam mesmo dinheiro para gastar. Três brancos sujos, que chegaram a pé, iriam consumir o suficiente para suprir todo o prejuízo da noite? E ele nem ao menos fica de olho na garota, mesmo de longe.

É inevitável sentir que tudo soa como uma imitação de “Um Drink no Inferno” (From Dusk Till Dawn, 1996), mas com roteiro preguiçoso e protagonistas com muita pose e nenhum conteúdo. As cenas de ação são confusas, repletas de CGI tosco, e ainda há um momento à la Zack Snyder, com uso de câmera lenta.

Assim como em “Um Drink no Inferno”, a “revelação sobre os vampiros” demora cerca de metade do filme para acontecer. A diferença é que o longa, com roteiro de Tarantino e direção de Robert Rodriguez, é criativo, uma zoação descompromissada que prende a atenção durante toda a duração. Não é pouca gente que até prefere a primeira metade à parte da porradaria no Titty Twister. Em “Pecadores”, nada escapa: tudo é um marasmo completo. As partes musicais, ao contrário do que apontam os chiques, são soníferos inseridos aleatoriamente na trama.

Há uma certa dose de humor que parece sempre estar fora do foco da proposta do longa, um toque Universo Cinematográfico Marvel. “Pecadores” é uma salada de gêneros e um amontoado constrangedor de clichês. Não funciona como filme de terror, de gângster, de comédia, de drama ou de romance. Coogler parece ter usado a versão gratuita do ChatGPT para escrever esse roteiro e alguma outra IA “free” para produzir os efeitos especiais.

Pecadores (Sinners, 2025)
Direção: Ryan Coogler
Elenco: Michael B. Jordan; Jack O’Conell; Hailee Steinfield;
Gênero: Terror; Drama;
Duração: 2h17min