Parece que o novo nome do terror é Osgood Perkins. O avalio como um diretor e roteirista “quase lá”. Sua estreia em longas se deu em 2015 e, de lá para cá, Maria e João: O Conto das Bruxas (Gretel & Hansel, 2020) foi o seu melhor “quase lá”. Tive reação oposta à da maioria sobre o Nicolas Cage como palhaço Pernalonga em Longlegs: Vínculo Mortal (Longlegs, 2024).
Perkins aproveitou o sucesso e meteu o pé no acelerador, chegando a despachar dois filmes em um mesmo ano: O Macaco (The Monkey, 2025) e Para Sempre Medo (Keeper, 2025). Já está finalizando mais um, que deve chegar agora em 2026. Mas parece que o efeito Longlegs vai ser de curta duração a julgar pelos resultados recentes.
Hal e Bill (ambos interpretados, quando crianças, por Christian Convery) são irmãos gêmeos. Idênticos por fora, completamente diferentes por dentro. Hal é introspectivo, tímido. Bill é um bully que torna o próprio irmão alvo na escola. Apesar de ter tentações de revidar com violência, Hal acaba sempre relevando e tentando conviver pacificamente com Bill.
Ao vasculharem um armário do pai, desaparecido há tempos, encontram um macaco de brinquedo que toca tambor quando lhe é dadocorda. O problema é que, quando o bicho entra em ação, alguém aleatoriamente morre. Ao perceber a tragédia que o brinquedo provocou, Hal tenta destruir ou se livrar dele. O problema é que o macaco sempre volta para quem o usou por último.
Considero a empolgação com Longlegs – Vínculo Mortal, o trabalho anterior de Perkins, um delírio coletivo. Aproveitando o sucesso do filme, Perkins já emendou mais um trabalho, aumentando o número de produções ruins baseadas em obras de Stephen King. Mais uma vez, o resultado é um terror de mínimo esforço que, como um fantasma, flutua no vazio.
A fraqueza do filme não reside em optar por não fornecer explicação alguma sobre o macaco amaldiçoado ou por estabelecer regras confusas sobre o funcionamento do brinquedo, mas principalmente por ter protagonistas ruins em vários sentidos. Resta-lhe tentar se sustentar apenas no gore, que logo se torna um artifício mecânico e cansativo.
Hal, quando criança, ainda oferece um certo carisma. Tem uma vida difícil em casa, pior na escola, cercado por pessoas que simplesmente o detestam e sendo responsável, indiretamente, pela morte da única pessoa que o amava. Há uma elipse temporal de cerca de duas décadas, e encontramos um outro Hal cuja personalidade não parece corresponder às suas tragédias da infância.
O garoto cresceu temendo o retorno do macaco, sendo que, aparentemente, este só causa problemas quando alguém dá corda para que o tambor toque. O medo o tornou uma pessoa reclusa, mas não o suficiente para impedi-lo de ter um filho, que só vê uma vez ao ano. São desculpas que não fazem sentido, mesmo em uma mente presumivelmente perturbada.
Se o início do filme tem um clima predominantemente trágico e tétrico, na fase seguinte o humor aumenta em escala, ora nos exageros das mortes provocadas pelo macaco, ora na presença de personagens como o chefe do trabalho de Hal, que parece saído de um teste para uma esquete da franquia Todo Mundo em Pânico, assim como o skatista com o cabelo cobrindo os olhos. Ambos penduram o terror na caricatura do humor.
Outro problema do longa, inclusive, é a arquitetura das mortes provocadas pelo macaco. Dá a impressão de que a intenção teria sido fazer planos elaborados como na franquia Premonição, mas faltou criatividade e restou pular direto para a parte de sangue e vísceras para impressionar a audiência.
O Hal adulto histérico perde apenas para o Bill adulto que parece um vilão de desenho animado. Vivendo em uma fortaleza cheia de armadilhas, o irmão malvado dedicou sua vida a reencontrar o macaco. Seu objetivo parece ser apenas provocar o caos, além de matar seu gêmeo bonzinho.
O Macaco vai ficando cada vez mais histriônico e entediante. Mesmo que tenha apenas 90 minutos, desafia a paciência.

O Macaco(The Monkey, 2025)
Diretor: Osgood Perkins
Elenco: Theo James; Elijah Wood; Adam Scott
Gênero: terror
Duração: 98 min
